Etnohistória, Economia e outras ciências humanas
PDF

Palavras-chave

Manejos
Cestaria
Identidade
Kaingang
Etnohistória
Economia

Resumo

O presente artigo tem como objeto de análise as relações de saber, relacionadas às práticas cesteiras dos Kaingang no Paraná a partir do final do século XVII até a atualidade. O objetivo desse estudo é investigar os significados das marcas aplicadas nos trançados Kaingang, carregados de princípios, conhecimentos, história e valores. Por meio da Etnohistória, buscamos fontes escritas, como os documentos e relatos de Curt Nimuendaju (1883-1945), que trouxeram contribuições importantes em suas interpretações. Os escritos de Telêmaco Borba (1840-1918) de 1904 também revelam uma vasta experiência na convivência com os Kaingang. A observação das significações dos trançados permitiu desvelar o cotidiano do povo Kaingang, a medida que se aproximavam as frentes colonizadoras de suas áreas. Conforme outros períodos são abordados, surgem novos fatores no processo intercultural, com as manifestações de interesse econômico que levando ao
silenciamento histórico desse povo. Ao analisar-se a conjuntura e os aspectos étnicos da visualidade do repertório, no qual surgiram variados trançados pautados de sinais diacríticos específicos da cestaria, nota-se também a transformação em recursos táticos de resistência. Segundo Henry H. Manizer, as práticas cesteiras são muito antigas e cada povo possui seu manejo e significados próprios. Como resultado, apresentamos a seleção de grafismos com significados na cosmologia das complementariedades Kaingang e a identificação de suas propriedades simbólicas. Bruce Graham Trigger (1982) demonstra que os indígenas têm sido agentes de sua própria etno-história e a reflexão que envolve sua territorialidade está relacionada com a cosmologia tradicional Kaingang. Nesse sentido, a etnohistória é uma ferramenta que almeja, acima de tudo, contribuir para o registro e o resgate de uma arte ameaçada de descaracterização e extinção pela cultura do esquecimento. Tal cultura é imposta pela violência simbólica, para a qual precisamos urgentemente um antidoto, buscando sempre estimular pesquisas etnohistóricas e o estudo dos aspectos econômicos sobre a cultura material, dando-lhes um tratamento mais compreensivo e integrado nas ciências humanas como um todo.

PDF