O pensamento econômico-social de Valentim Fernandes Bouças: organização político-empresarial, 1930-1940
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Palavras-chave

Empresário
Pensamento Social
Estado e Ação Política

Resumo

O presente trabalho analisará a trajetória social do empresário Valentim Fernandes Bouças. A primeira parte do artigo apresenta a trajetória social de Bouças durante a Primeira República, para, depois, dar ênfase ao primeiro decênio do governo Vargas. Tal empresário foi vinculado a grupos econômicos estadunidenses, a exemplo da International Business Machines Corporation – of Delaware, Companhia Goodyear do Brasil, Cia Serviços Hollerith, Panair do Brasil e Adressograph-Multigraph do Brasil S/A. Além das atividades características de um agente econômico, representante do capital estrangeiro, Bouças participou ativamente das agências que formam o complexo superestrutural do Estado capitalista no Brasil. Tornou-se bastante influente e, durante o Governo Vargas, participou de importantes órgãos técnicos e consultivos como, por exemplo, a Comissão de Estudos Financeiros e Econômicos de Estados e Municípios (CEFEM), o Conselho Técnico de Economia a Finanças (CTEF), o Conselho Federal do Comércio Exterior (CFCE) e a Comissão de Planejamento Econômico. Na sociedade civil, Valentim Bouças era vinculado à Associação Comercial do Rio de Janeiro – da qual foi vice-presidente em 1943 e 1944. Ele também era associado ao Instituto de Organização Racional do Trabalho, da qual também participavam os empresários Euvaldo Lodi, Roberto Simonsen e Horácio Lafer – p. ex. As evidências disponíveis sugerem não ser improvável que, devido a seu conhecimento em economia e também a seus contatos com empresas estadunidenses, Valentim Bouças acumulou um capital social e político que permitiu a apresentação dele como bastante credenciado em assuntos econômicos e financeiros. Pesou ainda o fato de ter acumulado, no campo das relações sociais, conhecimentos dos trâmites e circuitos financeiros internacionais, assegurando-lhe confiança como interlocutor do governo junto a credores externos. Assim sendo, propomos avaliar as interconexões entre pensamento social, organização e ação política de classe na trajetória econômico-social do referido empresário em sua condição de intelectual orgânico e, portanto, representante de interesses de corporações estrangeiras. 

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