Núcleos coloniais estatais em São Paulo

Resumo

Este artigo estuda a colonização estatal do Estado de São Paulo em dois momentos, 1897-1911 e 1930-1944, mostrando que apesar dos contextos econômicos distintos uma de suas principais funções era apoiar a acumulação de capital nas atividades econômicas dominantes. Isto se evidencia pelo fato de que dos 24 núcleos coloniais criados em São Paulo, entre 1877 e 1911, 20, certamente, estiveram voltados a favorecer a acumulação de capital na economia cafeeira, principalmente por meio da oferta de força de trabalho temporária às fazendas de café, nos momentos de pico da atividade produtiva. Já após 1930, as propostas de criação de núcleos coloniais passaram a ter como objetivo despertar regiões
adormecidas, por meio de pequenas propriedades agrícolas. Aspecto, sem dúvida, relacionado à introdução de novas áreas nos circuitos econômicos, no momento em que as atividades internas e a industrialização passavam a ser o centro economicamente dinâmico, tornando, assim, necessárias a integração e a ampliação do mercado interno. O trabalho argumenta, pois, que a colonização oficial paulista, mesmo apresentando características diferentes no pré e no pós 1930, comportou-se como importante instrumento de apoio, embora secundário, no desenvolvimento das atividades econômicas dominantes. Antes de 1930, os núcleos coloniais favoreceram o padrão de acumulação nucleado pela economia cafeeira e, no pós 1930, o novo padrão baseado na industrialização. Para tal, o trabalho interpreta os núcleos do período cafeeiro (1897-1911) como fornecedores de trabalhadores temporários para as fazendas de café e os núcleos criados pós-1930 - tendo como estudo de caso o Núcleo Colonial Barão de Antonina, principal núcleo criado em São Paulo, neste segundo período - como um laboratório de novas políticas colonizadoras voltadas a favorecer a industrialização.

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